quinta-feira, 2 de junho de 2011

O show já começou

A intenção e sentir o cheiro do asfalto; o sol do espaço aberto; o calor de uma parada de ônibus, a rejeição de alguns e o encantamento de outros; causar estranhamento na saída do colégio ou da missa; fazer no centro e na periferia, para o engravatado e para o maltrapilho;  e com esses elementos construir um trabalho genuinamente de rua.
Normalmente o grupo se fecha em um espaço, monta o trabalho e depois segue para o espaço aberto. Por que não ensaiar na rua ou pintar o seu cenário aos olhos de todos? A experiência é nova, intimista não só para a platéia, mas principalmente para o ator e todos que fazem parte do processo.

Existe uma barreira que separa o ator em seu estado de ser eloqüente, indumentado com mascaras e acessórios, preparado com um texto e pretexto, pronto para se fazer ver, ouvir e sentir e entre o seu estado “comum ou normal”, um ser que também tem medo do toque inesperado, e que se constrange  com aproximação que invade seu espaço; essa barreira é quebrada no momento que o ator vai construir cara a cara com sua platéia, onde se permite errar e voltar a cena, se permite experimentar as várias intenções possíveis do texto. Esse processo é no mínimo desafiador e certamente recompensador; além de acelerar a intimidade do trabalho com o seu público, permite também que os envolvidos cresçam esteticamente e descubram uma linguagem única que será a característica do trabalho em questão.  
A verdade é que para nós tudo ainda é dissertação, é experimento, só vamos poder realmente falar com propriedade e fundamento quando o trabalho estiver estreado de fato e obtivermos nossas impressões, enquanto não chegamos neste ápice, temos a consciência de que nosso processo é uma arte a parte e isso já nos realiza pois nos tira o peso da estréia ou de realmente concluir o trabalho, pois sabemos que o show já começou.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Nosso estandarte

Xilogravura

A xilogravura é um processo de gravação em relevo que utiliza a madeira como matriz e possibilita a reprodução da imagem gravada sobre papel ou outro suporte adequado.
Para fazer uma xilogravura é preciso uma prancha de madeira e uma ou mais ferramentas de corte, com as quais se cava a madeira de acordo com o desenho planejado.
É preciso ter em mente que as áreas cavadas não receberão tinta e que a imagem vista na madeira sairá espelhada na impressão; no caso de haver texto, grava-se as letras ao contrário.
Depois de gravada, a matriz recebe uma fina camada de tinta espalhada com a ajuda de um rolinho de borracha. Para fazer a impressão, basta posicionar uma folha de papel sobre a prancha entintada e fazer pressão manualmente, esfregando com uma colher ou mecanicamente, com a ajuda de uma prensa.
Como podemos constatar, é uma técnica bastante simples e barata; por isso se presta tão bem às ilustrações das capas dos folhetos de cordel. Para termos uma idéia desta simplicidade, basta saber que os gravadores nordestinos fabricam suas próprias ferramentas de corte com pregos e varetas de guarda-chuva, por exemplo, para conseguirem diferentes efeitos no desenho. 
As xilogravuras dos cordeis recitados em "João do Céu e João Cheroso" serão exibidos através de uma ferramenta antiga, muito conhecida dos professores, o Cineminha. Uma espécie de quadro móvel com um rolo de ilustrações em tecido ou papel que vão sendo exibidas de acordo com a estória contada.

O que é cordel?


A literatura de cordel é um tipo de poesia popular, originalmente oral, e depois impressa em folhetos rústicos ou outra qualidade de papel, expostos para venda pendurados em cordas ou cordéis, o que deu origem ao nome que vem lá de Portugal, que tinha a tradição de pendurar folhetos em barbantes. No Nordeste do Brasil, herdamos o nome (embora o povo chame esta manifestação de folheto), mas a tradição do barbante não perpetuou. Ou seja, o folheto brasileiro poderia ou não estar exposto em barbantes. São escritos em forma rimada e alguns poemas são ilustrados com xilogravuras, o mesmo estilo de gravura usado nas capas. As estrofes mais comuns são as de dez, oito ou seis versos.

História do Cordel

A história da literatura de cordel começa com o romanceiro luso-espanhol da Idade Média e do Renascimento. O nome cordel está ligado à forma de comercialização desses folhetos em Portugal, onde eram pendurados em cordões, lá chamados de cordéis. Inicialmente, eles também continham peças de teatro, como as de autoria de Gil Vicente (1465-1536).Foram os portugueses que trouxeram o cordel para o Brasil desde o início da colonização. Na segunda metade do século XIX começaram as impressões de folhetos brasileiros, com características próprias daqui. Os temas incluem desde fatos do cotidiano, episódios históricos, lendas , temas religiosos, entre muitos outros. As façanhas do cangaceiro Lampião (Virgulino Ferreira da Silva, 1900-1938) e o suicídio do presidente Getúlio Vargas (1883-1954) são alguns dos assuntos de cordéis que tiveram maior tiragem no passado. Não há limite para a criação de temas dos folhetos. Praticamente todo e qualquer assunto pode virar cordel nas mãos de um poeta competente.